quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Capitulo 1 - O nevoeiro.

Será uma vez...
Rael sentia-se sufocado. E apenas corria, entre ondas turvas. Corria para longe de tudo, tropeçando no lixo deixado nas ruas. Sentia-se sufocado pelas ruas, pelo mundo. E todos os outros estavam a sua procura, todos os outros que lhe conheciam e por dias tentaram deixá-lo melhor.
E o mundo parecia tremer. E as lágrimas eram deixadas para trás, sendo levadas até o chão pela brisa noturna. Lua cheia.
"La musique... la musique..."
E onde está Rael agora?
Se não em lugar algum?
Ninguém pode encontrá-lo, ninguém pode dizer o que ele deve fazer. Ele está entregue ao nada, e o tudo é apenas um peso insuportável. Anarquista da alma. Sua voz é tão estonteante quanto a lucidez do trovão.
"Muss es sein? Es muss sein!"
Rael, corra Rael, corra para bem longe. Esqueça tudo o que passou, se entregue ao vento e descubra a liberdade. Vamos Rael, vamos, se entregue ao esquecimento, e sorria, sorria por favor. Espero de ti apenas o seu sorriso mais belo. Pobre Rael, está descalço, e sua calça negra ganha tons de cinza nessa noite. O nevoeiro está por toda parte.
"Rael! Rael! Onde está você?"
São milhares de vozes que o pertubam. São milhares de pensamentos que não se satisazem. O Caos grita, o Caos grita. É preciso mais! É preciso ser mais! Vamos Rael, eu te odeio por apenas fugir. Por ser tão eu, por ser tão frágil. Por ter tentado além do que poderia tentar! Vamos Rael, eu te amo, sim, eu te amo e te odeio num piscar de olhos. Você é tudo para mim. Eu sou o seu narrador mais apaixonado.
Rael, não se sinta tão cansado. Continue a correr, mas escolha uma direção. Escolha qualquer direção. Eu estou te esperando aqui, onde você nunca poderá me encontrar. Então, siga, siga!! Rael! Rael! A música está por toda parte.
Continue a correr, continue!
E ele não para, e suas pernas não lhe pertencem mais. Ele encontra as árvores do parque, e por fim, suas pernas decidem parar. O lago está ali logo do lado, e sua água brilha através do luar. Sentado nas grossas raízes de uma árvore antiga, ele sente o chão gelado com a palma da mão, existe folhas soltas por toda a parte. E o lago chama pelo seu nome: "Venha até mim, venha até mim!".
Não vá Rael, não se entregue tão fácil assim. Existe algo em você, que diz que ainda existe muito para fazer. E um dia, você irá conseguir, irá sim.
Cela doit-il être? Cela est!
Não Rael, não siga até o lago, não queira se afogar. Ainda há pelo o que respirar. Existe pelo o que viver, mesmo no momento, estando longe demais para você. Grite, com todo seu brando, grite: Muss es sein? Es muss sein!
Rael já estava até o pescoço, mergulhado no lago, e não exitava em seguir em frente, até sentir o ar se dissipar. Queixo, lábios. Estava indo fundo demais. Seu corpo não sentia o quão gelado a água estava. Sua mente deixava de escutar as vozes, e apenas ouvia: Venha até mim... venha até mim...
A morte estava a lhe observar, seria o momento de Rael deixar de existir? Se entregando assim, tão desesperadamente? E seu ser já estava completamente submerso, e aos poucos sentia seus pulmões implorarem por ar: Mais ar, precisamos de mais ar!
E o mundo foi deixando de existir, e a consciencia estava se perdendo. Uns gritos... um toque brusco... onde estará Rael agora?

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